Direitos autorais
Copyright © Ananda Pombo 2009
(no copy without permition)
Do sentido tépido e inocenteque permanece aqui dentro,pouco resta do que realmente procurei.
A busca anônima que me invade o peitoe as camadas inabitadas do meu subconsciente
ardem desesperadamente
com o calor repentino que você me traz.
esvaziei meus pensamentos
empilhei meus sentimentos
sento-me – sei que estou seco e oco –
ao pé da cama
Enquanto o medo do meu próprio olhar
que se ajoelha perante o espelho
num relapso de loucura, onde eu não me sinto inteiro,me rouba a esperançae me permite ver
que por dentro a alma que sempre zeleiestá intacta
porém coberta
com o disfarce que eu mesmo costurei(Ananda Pombo)
Copyright
© Ananda Pombo 2008
a madrugada silenciosa começoume desperta e lateja dentro de mimsilêncio alma!silencia a minha estradaque o outono começou
e está chovendo folhas secas
silêncio estrada!
pára o tempo, dá passagem
que a minha sede vai passararranca todo esse tempo perdidode caule encardidopuxa pela raiz grossa traiçoeirame desperta da sua maneiraestou no fundo, estou largadoe de dentro vem o grito,rouco e seco, rasgando o peito:a minha alma quer falar!(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
amansa o meu tormento
me busca em meu olhar
estou perdido nesse vento
já não quero me encontrar
se você me ama não me esquecenão me solta pelo ar
amansa o meu tormento
não me afoga nesse mar
estou sozinho nesse tempo
estou buscando o seu olhar
meu bem, não me esquece
meu amor, o que te faz voltar?(Ananda Pombo)
Copyright
© Ananda Pombo 2008
'você precisa dormir',ele disse.
minhas mãos tremeram suadas'eu tenho a chave',
respondi.
'não sei o que dizer
eu abri a porta de uma casa desconhecida
o silêncio me invade dolorido
como chamas nesse brinquedo-de-papelcaminho lentamente pelo corredor
há alguém na sala-de-estareu posso ouvir os passos de uma dança
como chamas nessa cortina para o mar''nunca houve casanunca houve passoshá apenas brinquedo-de-papel'
eu me deito:
escureceu dentro de mim
'boa noite', me disse o céu
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
eu fecho os meus olhos e posso verhá um lado de dentro que desconheço
e nos profundos âmagos do meu peito
eu vejo que lá um mundo se desenhou
e nesse momento o horizonte se desfaz
as flores já sem cor, se encolhem e se jogam no aro vento parece sem direção
e todos os caminhos a frente se afogam no marvocê se perdeu nesse mundo dos meus olhos
no ar que se congela e me envolve por inteiro
lá as flores desabrocham num desejo de ficar
você voa com o vento desse horizontenum caminho desenhado pelo mar
eu sei, é você que congela o meu ar.
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
to be in love is so intricate
as try to understand a drunk's poetry
where you'll find no logicor self consciousness
to be in love is the madness of the menwhen there is no right or wrongthere is just innermost confusion
to be in love is as hard as try to swima whole ocean of misunderstandingwhere each moment you'll try to survivebut there will be no air to breathto be in love is so intricate...
Its when you cannot stop to think:'who am I without him?'(Ananda Pombo)
Copyright
© Ananda Pombo 2008
dentro desse espelhosai de um jeito, sai o medodentro desse jeitomora o medo, espanca o peitodentro desse peitosai do espelho, sai de um jeitodentro desse jeitotenho medo, espanco o espelhodentro desse medodesse espelho do meu peitomora o meu jeitomas meu peito espanca o medo
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
A claridade é vazia,
e a sua voz me intimida,
eu não me movo na vontade que caminha.
Me deixa falar o que sinto,
só agora, amanhã eu esqueço o que achar.
As suas palavras tocam os meus pensamentos.
Eu preciso ter de novo o que quero,
e quando você se cala eu penso em não te ouvir.
Me deixa caminhar com meus prórpios passos,
- o que eu nunca realmente fiz.
A sua língua é a que eu sei falar.
Me deixa dizer o que nós não fazemos
Me me enxuga do teu rosto
Não deixa eu me perder,
e não ter tamanho pra te conter.
Se esconda no vazio e se clareia.
Me deixa pensar o que penso de você...
Clareia que eu me ilumino contigo.
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
quando essa tortura acabar
e nós tivermos luz na sala de jantar
e um pouco de lembranças pra contar
ou misérias pra lembrar
e as minhas sentimentalidades todas
deixarem pra trás suas melancolias
e trancá-las nas cadeias do passado...
quando as cicatrizes deixarem de ser notadas
e as suas frases escandalizadas,
pararem de correr à minha volta pela casa.
quando as suas coisas saírem do meu quarto
e o seu cheiro sair das minhas roupas
e das páginas e das taças e das marcas
quando o seu jeito sair do meu corpo
e o seu gosto sair do meu peito
e as paredes perderem suas manchas,
os corredores seus espíritos
e as fachadas, as sacadas e as banheiras
esquecerem o seu jeito, o seu cheiro e o seu passo,
quando as minhas flores voltarem a respirar...
eu viverei enfim.
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
Acorda, que a luz está apagadanão tem ninguém em casaAcorda logoAbra os seus olhosOnde estão suas asas?Pra onde foram suas lágrimas?Acorda, amor
Acorda agora
porque eu estou na sala 3à direita do seu quartoporque eu estou na sala 3e eu daqui não saio
Me acordaminha alma está dormindoMe acorda depressaeu já não sei aonde vou
Onde estão seus olhos?Pra onde vão seus lábios?Acorda, amor
Me acorda agora
Você está na sala 3que escurece a madrugada
Você está na sala 3e sem você não vejo nadaAcorda, amorAcorda...
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
você é minha desde que eu nasci
quando eu dei por mim, já era minha
minha irmã e companheira,
minha melhor amiga,
meu exemplo e meu amor
você já era um pouco de mim e sempre será
mas,
um dia eu senti medo
um medo forte
de te perder
então, enquanto minhas lágrimas embassavam o meu olhar
eu me fiz e refiz só pra te reencontrar
porque você é parte de mim
e eu sempre te amei mais que a mim mesma
eu aprendi contigo
eu dormi, acordei, brinquei, cresci contigo
eu chorei, ri, cantei, dancei, desabrochei contigo
porque você é minha desde que eu nasci
você é minha esperança de vida,
minha esperança de força
dentre todas as coisas frágeis,
belas e fragrantes deste mundo
você sempre foi a mais importante
porque na verdade
eu sou sua desde que eu nasci...
(Ananda Pombo)

Copyright © Ananda Pombo 2008
eu era o canto de um abismoe eu me perguntava- o que se faz de um canto?eu era mais úmido na lua cheiae completamente esquecido no invernoe eu meu perguntava- quem irá amar um canto?e o canto se sentiu vazioe o canto procurou encantoaté que um canto veio com a brisa do nortedessas que deviam ser friasmas são quentesmas são docescomo um raio de solque invade o abismo e ilumina aos poucose esse canto era vocêque me falava- o canto deve ser música
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
agradeça meu perderque do pouco que se entregajá perde todo o senso de viverE por estar assim...distante de qualquer alegria,entorta o vão da porta por onde passae resgata apenas a força para correrEu não faço nada que me induza à paznem tão pouco sei do restoque de tanto trazer paz ficou monótonoÉ uma esperança poucaque reluz nos olhosde uma falta que ressalta pólosÉ como fosse um brilho secoque ora existe, ora ressoaapenas porque não há fato que neguenão há um só fato que nos neguee nada mais atravessa o céuhá um silêncio que impedenem que se seja forte conforme o ventohá um soluçar que transpareceao passo que se permite ver por entree entre há apenas faltadessas que nem a noite deixa para trás
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
Não existe um saudoso em mimmais triste que o momento presenteEle está a me falar modinhase cantigas tristes de dias de chuvaNão há som do lado de foraque transpasse o barulho do ventoporque o meu vento, eu sempre soubeo meu vento vem de dentroEu levo tudo dentro da mochilaE faz silêncio simporque há lembrançasAs lembranças são feitas de ventoe esse vento, eu sempre soubeesse vento vem de dentroNão existe um perfil em mimmais triste que o momento ausenteE se tudo é tristeexiste um porque triste tambémEu sei, mais uma vezNão há nada que se levesó o que buscar...
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
É uma sensação que me deixa sem pensaré como uma estrada por onde não se pode caminharé um não poder sentir nem se deixar levarcomo um sentimento de que pouco a poucoé você o tempo todoé você o tempo todoSou passo seco sobre o marde um medo de pisar e me afogare se eu não souber dizer, não souber explicar?Sou passo tímido ao seu passar!eu já não sei dizer, já não sei explicarMas agora que você me olhaeu esqueço...e espero que você percebaque é você o tempo todoé você o tempo todo
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
E lá se ia, todo perdido,mais um diafeito um bêbado de esquinaE lá se ia...feito rachadura de piscinanão fez curva não fez nadanão encostou no temponem na hora da saídaE lá se ia, todo mal feitomais um suspiro da auroraque sai meio que coisa cuspidaque se diz mas não é sentidafeito esperança de pedra de beconão correu de medonão fez nadasaiu feito memória esquecidaque não dá nem vontade de lembrarE lá se ia, o diacomo paredes fazem do corredor um par
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
Saiu de mim qualquer motivo que não fez sentidoSaiu de mim todo desvioque não trouxe soluçãoe trouxe isso apenas:os olhares mais vazios,os olhares mais sombrios,sem verdade alguma nas entre-linhasVocê caiu profundos treze andarese nem sangroue eu olhei os seus olhos cheiose não vi olhar algumsem expressão alguma nas entre-linhasHouve silêncio.Pois tocaram os sinos da Igreja às 11 horas.Houve medo,nada além de medo,o medo sinsitro de quem conheceu a morte.
(Ananda Pombo)

Copyright
© Ananda Pombo 2008
...e quando você voltar e me olhar
por pelo menos um segundo,
eu vou reparar se a sua íris é rara,
eu vou reparar se a sua arte é sensata,
para te fazer um retrato comentário,
quando você olhar pra trás.
E se nada desse mundo reagir,
eu vou me lembrar de gritar o seu nome
– que eu nem sei –
e vou procurar em todos os olhares o seu olhar,
em todas as palavras a sua voz,
eu vou te procurar em todas as melodias,
só pra te pedir um último olhar.
E se na verdade, a gente nunca aconteceu,
eu vou me resgatar numa nota do passado,
eu vou nos refazer e te desenhar num azulado,
só pra te ver me olhar de novo pela primeira vez.
Eu vou te incendiar em sintomas de saudade,
e te fazer renascer comigo em sentimento,
quando você olhar pra trás
eu vou te pedir um último olhar.
(Ananda Pombo)

Copyright © Ananda Pombo 2008