Direitos autorais

Copyright © Ananda Pombo 2009

(no copy without permition)

22/07/08

Disfarce (2008)

Do sentido tépido e inocente
que permanece aqui dentro,
pouco resta do que realmente procurei.
A busca anônima que me invade o peito
e as camadas inabitadas do meu subconsciente
ardem desesperadamente
com o calor repentino que você me traz.

esvaziei meus pensamentos
empilhei meus sentimentos
sento-me sei que estou seco e oco
ao pé da cama

Enquanto o medo do meu próprio olhar

que se ajoelha perante o espelho

num relapso de loucura, onde eu não me sinto inteiro,

me rouba a esperança
e me permite ver
que por dentro a alma que sempre zelei

está intacta
porém coberta

com o disfarce que eu mesmo costurei


(Ananda Pombo)



Copyright © Ananda Pombo 2008

21/07/08

Outono (2008)

a madrugada silenciosa começou
me desperta e lateja dentro de mim
silêncio alma!
silencia a minha estrada
que o outono começou
e está chovendo folhas secas

silêncio estrada!

pára o tempo, dá passagem

que a minha sede vai passar


arranca todo esse tempo perdido
de caule encardido
puxa pela raiz grossa traiçoeira
me desperta da sua maneira
estou no fundo, estou largado
e de dentro vem o grito,
rouco e seco, rasgando o peito:
a minha alma quer falar!

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

17/07/08

Meu tormento (2008)

amansa o meu tormento
me busca em meu olha
r
estou perdido nesse vento

já não quero me encontrar

se você me ama

não me esquece
não me solta pelo ar

amansa o meu tormento

não me afoga nesse mar

estou sozinho nesse tempo

estou buscando o seu olhar

meu bem, não me esquece

meu amor, o que te faz voltar?


(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

16/05/08

A casa (2008)

'você precisa dormir',
ele disse.
minhas mãos tremeram suadas

'eu tenho a chave',
respondi.


'não sei o que dizer

eu abri a porta de uma casa desconhecida

o silêncio me invade dolorido

como chamas nesse brinquedo-de-papel


caminho lentamente pelo corredor
há alguém na sala-de-estar

eu posso ouvir os passos de uma dança
como chamas nessa cortina para o mar'


'nunca houve casa
nunca houve passos
há apenas brinquedo-de-papel'
eu me deito:

escureceu dentro de mim

'boa noite', me disse o céu

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

05/05/08

Desenhos (2008)

eu fecho os meus olhos e posso ver
há um lado de dentro que desconheço
e nos profundos âmagos do meu peito

eu vejo que lá um mundo se desenhou


e nesse momento o horizonte se desfaz
as flores já sem cor, se encolhem e se jogam no ar

o vento parece sem direção
e todos os caminhos a frente se afogam no mar


você se perdeu nesse mundo dos meus olhos
no ar que se congela e me envolve por inteiro

lá as flores desabrocham num desejo de ficar

você voa com o vento desse horizonte

num caminho desenhado pelo mar
eu sei, é você que congela o meu ar.

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

01/05/08

drunk`s poetry (2006)

to be in love is so intricate
as try to understand a drunk's poetry

where you'll find no logic

or self consciousness

to be in love is the madness of the men
when there is no right or wrong
there is just innermost confusion

to be in love is as hard as try to swim
a whole ocean of misunderstanding
where each moment you'll try to survive
but there will be no air to breath

to be in love is so intricate...
Its when you cannot stop to think:

'who am I without him?'

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

28/04/08

Sai o medo (2008)

dentro desse espelho
sai de um jeito, sai o medo
dentro desse jeito
mora o medo, espanca o peito

dentro desse peito
sai do espelho, sai de um jeito
dentro desse jeito
tenho medo, espanco o espelho

dentro desse medo
desse espelho do meu peito
mora o meu jeito
mas meu peito espanca o medo


(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

22/04/08

Lágrima (2002)

A claridade é vazia,
e a sua voz me intimida,
eu não me movo na vontade que caminha.
Me deixa falar o que sinto,

só agora, amanhã eu esqueço o que achar.

As suas palavras tocam os meus pensamentos.
Eu preciso ter de novo o que quero,
e quando você se cala eu penso em não te ouvir.

Me deixa caminhar com meus prórpios passos,
- o que eu nunca realmente fiz.


A sua língua é a que eu sei falar.
Me deixa dizer o que nós não fazemos
Me me enxuga do teu rosto
Não deixa eu me perder,
e não ter tamanho pra te conter.

Se esconda no vazio e se clareia.
Me deixa pensar o que penso de você...

Clareia que eu me ilumino contigo.


(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008


31/01/08

Minhas flores (2003)

quando essa tortura acabar

e nós tivermos luz na sala de jantar
e um pouco de lembranças pra contar
ou misérias pra lembrar
e as minhas sentimentalidades todas
deixarem pra trás suas melancolias
e trancá-las nas cadeias do passado...

quando as cicatrizes deixarem de ser notadas

e as suas frases escandalizadas,
pararem de correr à minha volta pela casa.
quando as suas coisas saírem do meu quarto
e o seu cheiro sair das minhas roupas
e das páginas e das taças e das marcas

quando o seu jeito sair do meu corpo
e o seu gosto sair do meu peito
e as paredes perderem suas manchas,
os corredores seus espíritos
e as fachadas, as sacadas e as banheiras

esquecerem o seu jeito, o seu cheiro e o seu passo,
quando as minhas flores voltarem a respirar...
eu viverei enfim.

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

19/01/08

Sala 3 (2004)

Acorda, que a luz está apagada
não tem ninguém em casa
Acorda logo
Abra os seus olhos

Onde estão suas asas?
Pra onde foram suas lágrimas?
Acorda, amor
Acorda agora

porque eu estou na sala 3

à direita do seu quarto
porque eu estou na sala 3
e eu daqui não saio

Me acorda

minha alma está dormindo
Me acorda depressa
eu já não sei aonde vou

Onde estão seus olhos?

Pra onde vão seus lábios?
Acorda, amor
Me acorda agora

Você está na sala 3

que escurece a madrugada
Você está na sala 3

e sem você não vejo nada
Acorda, amor
Acorda...

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

14/01/08

Poema para a irmã Dourada - Gouramani (2008)

você é minha desde que eu nasci
quando eu dei por mim, já era minha
minha irmã e companheira,
minha melhor amiga,
meu exemplo e meu amor
você já era um pouco de mim e sempre será

mas,
um dia eu senti medo
um medo forte
de te perder
então, enquanto minhas lágrimas embassavam o meu olhar
eu me fiz e refiz só pra te reencontrar
porque você é parte de mim
e eu sempre te amei mais que a mim mesma

eu aprendi contigo
eu dormi, acordei, brinquei, cresci contigo
eu chorei, ri, cantei, dancei, desabrochei contigo
porque você é minha desde que eu nasci
você é minha esperança de vida,
minha esperança de força

dentre todas as coisas frágeis,
belas e fragrantes deste mundo
você sempre foi a mais importante
porque na verdade
eu sou sua desde que eu nasci...


(Ananda Pombo)

Copyright © Ananda Pombo 2008

13/01/08

O canto (2007)

eu era o canto de um abismo
e eu me perguntava
- o que se faz de um canto?

eu era mais úmido na lua cheia
e completamente esquecido no inverno
e eu meu perguntava
- quem irá amar um canto?

e o canto se sentiu vazio
e o canto procurou encanto

até que um canto veio com a brisa do norte
dessas que deviam ser frias
mas são quentes
mas são doces
como um raio de sol
que invade o abismo e ilumina aos poucos

e esse canto era você
que me falava
- o canto deve ser música

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

11/01/08

Que transparece (2005)

agradeça meu perder
que do pouco que se entrega
já perde todo o senso de viver
E por estar assim...
distante de qualquer alegria,
entorta o vão da porta por onde passa
e resgata apenas a força para correr

Eu não faço nada que me induza à paz
nem tão pouco sei do resto
que de tanto trazer paz ficou monótono
É uma esperança pouca
que reluz nos olhos
de uma falta que ressalta pólos
É como fosse um brilho seco
que ora existe, ora ressoa
apenas porque não há fato que negue
não há um só fato que nos negue

e nada mais atravessa o céu
há um silêncio que impede
nem que se seja forte conforme o vento
há um soluçar que transparece
ao passo que se permite ver por entre
e entre há apenas falta
dessas que nem a noite deixa para trás

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

Na mochila (2005)

Não existe um saudoso em mim
mais triste que o momento presente
Ele está a me falar modinhas
e cantigas tristes de dias de chuva
Não há som do lado de fora
que transpasse o barulho do vento
porque o meu vento, eu sempre soube
o meu vento vem de dentro

Eu levo tudo dentro da mochila
E faz silêncio sim
porque há lembranças
As lembranças são feitas de vento
e esse vento, eu sempre soube
esse vento vem de dentro

Não existe um perfil em mim
mais triste que o momento ausente
E se tudo é triste
existe um porque triste também
Eu sei, mais uma vez
Não há nada que se leve
só o que buscar...

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

Passo seco (2006)

É uma sensação que me deixa sem pensar
é como uma estrada por onde não se pode caminhar
é um não poder sentir nem se deixar levar
como um sentimento de que pouco a pouco
é você o tempo todo
é você o tempo todo

Sou passo seco sobre o mar
de um medo de pisar e me afogar
e se eu não souber dizer, não souber explicar?
Sou passo tímido ao seu passar!
eu já não sei dizer, já não sei explicar
Mas agora que você me olha
eu esqueço...
e espero que você perceba
que é você o tempo todo
é você o tempo todo

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

Pedra de beco (2005)

E lá se ia, todo perdido,
mais um dia
feito um bêbado de esquina
E lá se ia...
feito rachadura de piscina
não fez curva
não fez nada
não encostou no tempo
nem na hora da saída

E lá se ia, todo mal feito
mais um suspiro da aurora
que sai meio que coisa cuspida
que se diz mas não é sentida
feito esperança de pedra de beco
não correu de medo
não fez nada
saiu feito memória esquecida
que não dá nem vontade de lembrar
E lá se ia, o dia
como paredes fazem do corredor um par

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

Nas entre-linhas (2005)

Saiu de mim qualquer motivo
que não fez sentido
Saiu de mim todo desvio
que não trouxe solução
e trouxe isso apenas:
os olhares mais vazios,
os olhares mais sombrios,
sem verdade alguma nas entre-linhas

Você caiu profundos treze andares
e nem sangrou
e eu olhei os seus olhos cheios
e não vi olhar algum
sem expressão alguma nas entre-linhas

Houve silêncio.
Pois tocaram os sinos da Igreja às 11 horas.
Houve medo,
nada além de medo,
o medo sinsitro de quem conheceu a morte.

(Ananda Pombo)


Copyright © Ananda Pombo 2008

10/01/08

Sintomas de saudade (2003)

...e quando você voltar e me olhar
por pelo menos um segundo,
eu vou reparar se a sua íris é rara,
eu vou reparar se a sua arte é sensata,
para te fazer um retrato comentário,
quando você olhar pra trás.

E se nada desse mundo reagir,
eu vou me lembrar de gritar o seu nome

que eu nem sei
e vou procurar em todos os olhares o seu olhar,
em todas as palavras a sua voz,
eu vou te procurar em todas as melodias,
só pra te pedir um último olhar.


E se na verdade, a gente nunca aconteceu,
eu vou me resgatar numa nota do passado,
eu vou nos refazer e te desenhar num azulado,
só pra te ver me olhar de novo pela primeira vez.
Eu vou te incendiar em sintomas de saudade,
e te fazer renascer comigo em sentimento,
quando você olhar pra trás
eu vou te pedir um último olhar.

(Ananda Pombo)

Copyright © Ananda Pombo 2008